"/> Enercom - Materiais Elétricos

Tel: (11) 2919-0911 / 2919-3567

Português English

Redes Subterrâneas


Em 2005 a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a lei 14.023, que obriga concessionárias, empresas estatais e operadoras de serviço a enterrarem todo o cabeamento (de rede elétrica, telefonia, televisão e afins) instalado no município. A regulamentação da lei, em vigor desde 2006, prevê o enterramento de 250 km de fios e cabos por ano. Porém, a Grande São Paulo tem enterrados hoje apenas 5% de seus 30 mil km de fios e cabos, o equivalente a 3 mil km, segundo informações da própria concessionária.

Como um dos maiores entraves da questão é o custo das obras, estimado em cerca de R$ 2 milhões o quilômetro enterrado, a legislação esbarra no impasse entre governo e concessionárias, que não concordam em arcar sozinhas com as despesas para a substituição do modelo de distribuição. Embora as redes elétricas subterrâneas tragam benefícios incontestáveis como maior segurança (pois evita acidentes com a fiação elétrica e diminuição de gastos com manutenção), de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a elevação do custo de mudança do sistema impactaria diretamente o valor da tarifa de energia elétrica ao usuário final.

Em âmbito federal não há legislação específica, no entanto, o programa Monumenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura destina, desde 2010, mais de R$ 205 milhões para revitalizar centros históricos do Brasil, incluindo o enterramento de cabos elétricos.

Os investimentos do Monumenta estão previstos para serem aplicados até 2013, dentro do orçamento do Plano de Ação de Cidades Históricas (Pach), restritos a pontos específicos de caráter histórico. Especificamente, o enterramento de fiação beneficiou apenas duas cidades das sete selecionadas no Paraná no ano de 2010: Morretes e Antonina. Em Goiás, das cinco cidades selecionadas, três foram beneficiadas com enterramento: Goiânia, Pilar de Goiás e Corumbá de Goiás.

A viabilização do sistema de redes subterrâneas continua em aberto, mas iniciativas realizadas nos Estados de São Paulo e Paraná têm mostrado, seja em parcerias público-privadas ou em investimentos da própria municipalidade, um caminho viável para a viabilização de projetos. Vale lembrar que, em decorrência da Copa de 2014, em várias cidades-sede dos jogos há empresas dispostas a dividir os custos da construção de galerias subterrâneas.


A seguir, conheça algumas experiências de instalação de redes subterrâneas de iluminação pública.

Rua Oscar Freire (São Paulo)


Fiação da rede elétrica na rua Oscar Freire, antes e depois da obra de rede subterrânea

A rede subterrânea da Oscar Freire, rua comercial tradicional da capital paulistana, contemplou o equivalente a cinco quadras (750 m), com uso de cerca de 9 km de cabos elétricos e dez transformadores. O projeto consistiu no aterramento dos fios da rede elétrica e demais concessionárias, além da construção de dez câmaras com trans­formador, configurando dez minissubestações.

Como a rede subterrânea foi solicitada para apenas um trecho da rua, os engenheiros adotaram uma técnica de mergulho com uso de sistema radial, também conhecido como "anel aberto". Segundo Nilson Barone, gerente de gestão subterrânea da AES/Eletropaulo, a Oscar Freire, por ser uma rua comercial, apesar de pequena, apresentou particularidades ainda mais complexas que projetos de maiores extensões, demandando um diagnóstico preciso da distribuição de carga necessária, do cabeamento, entre outros fatores. "A potência dos transformadores aéreos é diferente da potência dos transformadores de uma rede subterrânea. Por isso, foi preciso fazer um cálculo para identificar a quantidade correta de transformadores e a necessidade de potência para alimentar a carga levando em consideração que não teríamos o esforço mecânico do poste", explica.

A instalação da rede subterrânea da Oscar Freire levou aproximadamente um ano para ser concluída. Só as aprovações junto à subprefeitura local, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Secretaria do Meio Ambiente, consumiram em torno de quatros meses. O engenheiro civil coordenador de infraestrutura da AES/Eletropaulo, Moacir Fernandes, enumera as dificuldades encontradas no projeto: espaço reduzido (já que a rua é estreita e com fluxo intenso de carros); prazo restrito (a maior parte das máquinas só podia circular à noite para não atrapalhar o trânsito local); articulação com demais concessionárias de internet e TV paga; e muita reclamação da vizinhança por conta das obras.


Mas talvez tenha sido o financiamento da empreitada o principal desafio. Após dois anos de negociação, o então prefeito de São Paulo, José Serra, e a Associação de Lojistas da Oscar Freire assinaram um convênio, em 2005, para a requalificação do trecho entre as ruas Melo Alves e Padre João Manuel. Alguns patrocinadores foram abordados, mas no fim das contas, os recursos vieram da própria Associação, da Prefeitura de São Paulo e da operadora de cartão de crédito, Amex, que entrou como patrocinadora do projeto.

O custo total da obra para a revitalização da Oscar Freire (incluindo pavimentação de calçadas e outros benefícios de infraestrutura, além do enterramento da rede elétrica) foi de R$ 8,5 milhões: R$ 4,5 milhões vieram da prefeitura, R$ 3,5 milhões da Amex e R$ 1 milhão da Associação Comercial.


RECURSOS
Custo estimado: R$ 8,5 milhões
Origem da verba: Associação Comercial dos Lojistas da Oscar Freire, Prefeitura Municipal de São Paulo e Amex, patrocinadora
Ano: 2006

Dívida que vira investimento

Na rua José Paulino, o enterramento de 2 km de fiação incluiu a retirada dos 75 postes de cimento e instalação de postes de metal e reparos nas calçadas. A obra, estimada em R$ 5 milhões, é uma contrapartida da Eletropaulo ao pagamento de uma dívida de R$ 344,2 milhões devida pela Prefeitura de São Paulo à concessionária.

Ao todo, a negociação prevê o aterramento de 18 km de fios em outras regiões, entre elas um trecho da avenida Faria Lima (também em São Paulo), que se estendeu em 1,5 km entre as avenidas Rebouças e Cidade Jardim. O custo estimado foi de R$ 5 mil por metro de fio enterrado.

Os projetos da distribuidora ainda incluem: rua Treze de Maio e adjacências (trechos das ruas Martiniano de Carvalho, Treze de Maio, Paraíso e avenida Bernardino de Campos), sendo previsto para execução em 2012 a rua do Gasômetro (Brás), rua José Paulino e adjacências (Bom Retiro).

A Prefeitura Municipal de São Paulo também financiou, ao investimento de R$ 3,7 milhões, as obras para a implantação de uma rede elétrica subterrânea no Parque do Ibirapuera.

Avenida Advogado Horácio Raccanello (Maringá)


Em cinco anos, a Prefeitura Municipal de Maringá, localizada na região Norte do Paraná, transformou a paisagem urbana do Centro da cidade. O plano de revitalização envolveu o rebaixamento dos trilhos da via férrea que entrecortavam a avenida Advogado Horácio Raccanello. Hoje a avenida está situada sobre a laje do túnel ferroviário e conta com fiação elétrica e telefônica subterrâneas. A construção, orçada em R$ 5 milhões, sendo R$ 2 milhões para as obras civis e R$ 3 milhões para a eletromecânica, chegou ao fim em junho de 2011 marcando uma nova etapa na cidade de pouco mais de 50 anos.

As instalações de redes subterrâneas variam de acordo com o tipo de carga atendida pela rede. Na área da avenida de Maringá, a potência de carga da rede foi de aproximadamente 6.000 kVA. Dutos foram usados para passagem de cabos padrão com bitola de 400 mm2 em 1 km de extensão de rede subterrânea. Além disso, foram instalados 12 transformadores de 500 kVA enterrados em câmaras.


Além da execução, a especificação de materiais apresentou desafios aos contratantes públicos. "Alguns produtos não são feitos no Brasil por mais de uma empresa, fazendo com que o fornecedor pratique o preço que quiser, o que é incompatível com o orçamento da prefeitura. Por isso, tivemos de abrir uma licitação internacional para conseguir encaixar o custo no orçamento da obra, o que atrasou um pouco o cronograma", explica o gerente de divisão de normalização técnica da Copel, José Maria Joly.


RECURSOS
Custo estimado: R$ 5 milhões
Origem da verba: Prefeitura Municipal de Maringá
Ano: 2011

Avenida Brasil (Foz do Iguaçu, PR)

A cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, foi uma das pioneiras a receber projetos de enterramento de fios de rede elétrica. Como parte de um plano de urbanização da zona central do município, foi instalada uma rede subterrânea de aproximadamente 1 km de extensão na avenida Brasil, uma das principais vias da cidade. A obra demandou investimento de R$ 7,5 milhões aos cofres públicos, valor custeado pela Prefeitura Municipal, com participação entre 10% e 30% da Companhia Paranaense de Energia (Copel).

Ao todo, foram instalados 18 transformadores em 18 câmaras de 500 kVA. "Em virtude do clima local, quente e seco, a população usa muito ar-condicionado, o que acaba sobrecarregando a rede. Com isso, foi preciso trabalhar com transformadores de cargas elevadas" explica o gerente de divisão de normalização técnica da Copel, José Maria Joly.


RECURSOS
Custo estimado: R$ 7 milhões
Origem da verba: Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu
Ano: 2008

Rua Vitório Fasano (São Paulo)

Qualquer um pode optar pelo enterramento de fios da rede elétrica, inclusive o proprietário de um estabelecimento comercial que não queria mais a rede aérea em frente ao seu negócio. Foi o que aconteceu na rua Vitório Fasano, em São Paulo. O proprietário do restaurante decidiu contatar a AES/Eletropaulo para fazer a instalação de uma rede subterrânea.

Considerada pelos engenheiros uma obra de pequeno porte, o "mergulho" da rede levou apenas quatro meses de execução e mereceu a pontuação 2,0 na escala de dificuldade (de 0 a 5) apresentada pelos engenheiros. "Esta foi uma obra de baixa complexidade em que usamos apenas duas caixas subterrâneas,­ uma câmara e um posto de passagem", explica Moacir. O custo, segundo Nilson, em torno de R$ 700 mil foi bancado pela iniciativa privada.

Antes de começar qualquer obra, no entanto, os engenheiros dizem que o principal é se concentrar na fase de planejamento para mapear todos os recursos necessários para a fase de execução, tais como suprimentos de fornecedores, materiais, equipamentos; compatibilização de projetos (das empresas que compartilham a rede aérea), gestão de relacionamento com o poder público (aprovações de projetos, agente de fiscalização de trânsito etc.) e com moradores/clientes etc.


RECURSOS
Custo estimado: R$ 700 mil
Origem da verba: Iniciativa privada
Ano: 2006

Ponta Grossa (Paraná)

Realizada na rua Vicente Machado, a obra de enterramento de fios e cabos da rede elétrica de Ponta Grossa concretizada pela Copel na cidade foi a primeira de um plano de reurbanização do Centro. "Em aproximadamente 700 m, a prefeitura autorizou e custeou, juntamente da Copel, o projeto de rede subterrânea. Um dos motivos foi, certamente, a questão estética", informa José Maria Joly, gerente de divisão de normalização técnica da Copel.

Por ter passeios públicos muito estreitos, a obra em Ponta Grossa não permitiu o enterramento completo dos transformadores em câmaras subterrâneas. Essa problemática, aliada à necessidade de enxugar os custos, fez com que a obra tivesse uma característica diferenciada: apenas a rede de baixa tensão é subterrânea. Por lá, transformadores ainda ficam expostos em postes em esquinas transversais, tendo sido necessárias duas unidades de 112,5 kVA e sete unidades de 225 kVA.


RECURSOS
Custo estimado: R$ 2.400 milhões
Origem da verba: Prefeitura Municipal de Ponta Grossa
Ano: 2009

Como planejar


Cuidados na contratação de projetos de enterramento da rede elétrica

Prazo: varia conforme a extensão das vias a serem convertidas. Em média, os projetos levam de 12 a 18 meses para conclusão.

Especificidades a serem observadas: disponibilidade de fonte de carga para contingenciamento do sistema; densidade e tendência de crescimento de carga; tipologia da(s) via(s) e sua ocupação do subsolo.

Dificuldades comuns à execução das obras: trânsito (restrição de mobilidade de máquinas e equipamentos); horários de execução, devido a ruídos; reclamação de moradores; e interferências subterrâneas já existentes (adutoras, gasodutos, galerias de águas etc.);

Cuidados devem ser tomados: mapear todos os recursos necessários para a fase de execução, tais como suprimentos de fornecedores, materiais, equipamentos; compatibilização de projetos (das empresas que compartilham a rede aérea); gestão de relacionamento com o Poder Público (aprovações de projetos, agente de fiscalização de trânsito etc.) e com moradores/clientes etc.



Fonte: http://www.infraestruturaurbana.com.br/solucoes-tecnicas/7/artigo235532-1.asp